'Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção'.


Antoine de Saint-Exupéry

'Sou talvez a visão que alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca nesta vida me encontrou!'

Florbela Espanca.



Pouca sinceridade é uma coisa perigosa,

muita sinceridade é absolutamente fatal.

Um belo dia resolvi mudar
E fazer tudo o que eu queria fazer
Me libertei daquela vida vulgar
Que eu levava estando junto à você
E em tudo o que eu faço
Existe um porquê
Eu sei que eu nasci
Sei que eu nasci pra saber
Pra saber o quê?

Agora Só Falta Você - Rita Lee

Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.

FERNANDO PESSOA.

Serenidade.

ORAÇÃO DA SERENIDADE

"Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras".

*

Eu a conheço melhor do que ninguém. Apareceu cedo, talvez quando eu nem sonhava em existir, mas eu já nasci e cresci sabendo do seu comportamento, e a vi carregando em seus braços toda a sombra de prosperidade que habitava a minha casa. Mas nunca tive medo, eu sempre fui mais forte.

Ela chegava devagar, com amigos, bebida, risadas. Era sempre tarde, e eu nunca conseguia dormir quando aparecia. Velava o sono do meu irmão, com medo do seu choro.
Ela não nos fazia mal, nunca nos tocou, mas arrancava de nós a esperança de ter de volta tudo que um dia ela tomou. Ela dizia que ia devolver, mas eu nunca tinha certeza disso. Ao contrário, a via pegar emprestado todo o tempo.

Era uma mistura de tristeza e alegria: risos de noite, choros de dia.
Uma noite, ela me fez sair correndo por Salvador com minha mãe e irmão, nos caçava, nos tirava a paz, dizia que não seria tão fácil se livrar, pois ela já era íntima, não aceitaria a separação assim.
Eu de cá me perguntava porque ainda a deixavam entrar, mas ninguém nunca sabia me responder. Talvez faltasse força. Eu assistia tudo, aguentava tudo, estudava, observava e tirava exemplos. Não julgava, mas sabia onde tudo aquilo ia parar.

Um dia ela levou nossa dignidade, nossa moral. Levou nossas casas, carros e bens.
Ela tentou matar meu pai, mas ele nunca se entregou. A verdade é que ele nunca se deixou dominar por ela, apesar de te-la na vida, nunca esqueceu quem era.
Há pouco tempo, tentou matar a minha mãe, que por pouco se deixou sufocar, mas estávamos ali, juntos e, felizmente, ela fracassou.

Eu a vejo nas ruas, entre amigos, amigos de amigos, desconhecidos. A vejo entre gente rica e pobre, gente influente e famosos. Já tentou se aproximar de mim várias vezes, de várias formas, mas eu não preciso senti-la pra saber.

Conheço suas ondas, suas caras, suas várias sensações. Conheço sua herança, seu poder e controle. Sei de tudo que precisa, de tudo que retira, o quanto é ambiciosa e sempre quer mais. Sei das angustias, seus vários nomes e modos de uso.

Sou phD sem precisar de diploma, sou profunda conhecedora e sobrevivente.
Eu a vi de perto. Eu a quero longe. Ela rouba seu tempo, suas oportunidades, sua juventude, sua coragem. Rouba sua alegria, sua auto-estima, rouba também o material.

Eu vi a DROGA destruir a minha família. Eu vi a droga levar amigos dos meus pais, amigos de amigos. Eu vi a droga tentar triunfar sobre a vida das pessoas que mais amo. Eu vi duas mães fazerem o possível e o impossível pelos filhos. Eu convivo com ela desde que nasci, mas o passado não mais me interessa. Quero olhar pra frente.

Aqui, deixo meu testemunho, o passado de uma família agora reconstruída. Se a minha conseguiu, tantas outras também hão de fazê-lo, mas é um processo doloroso, com mais perdas que ganhos. E o tempo perdido, é a única coisa que jamais há de se recuperar.
Seja limpo, fique limpo. Evite o primeiro gole, o primeiro trago, a primeira 'bola'.
Viva bem, só por hoje. Cuidado pra doença não te pegar.



Camila, 26 anos,
filha de dependentes químicos.

Louco não rasga dinheiro. Será?

Recebi essa crônica por e-mail e achei interessante, resolvendo assim, postar aqui.
Ponto de vista econômico desse caso monstruoso, o que muito me agrada.
Segue:

'Gilberto Braga: Gol contra de Bruno

Rio - Falando da parte econômica do escândalo do Caso Bruno (ex-goleiro do Flamengo), sempre em grandes números, com juros de poupança, o resumo é o seguinte. Considerando que o goleiro jogasse até os 37 anos e que seu padrão de remuneração, entre salários e receita de imagem fosse mantido (R$ 250 mil mês), o Bruno deixará de ganhar R$ 40 milhões. Como ele paga tributos, como trabalhador (clube) e como empresa (publicidade) e, se gastasse por mês R$ 50 mil para manter seu elevado padrão de vida, sobrariam R$ 30 milhões.

Essa grana toda está indo para o ralo. Interessante é comparar com as alternativas econômicas que o Bruno teria. A primeira delas seria fazer um acordo amigável com a ex-amante e bancar o filho até os 24 anos, quando estivesse formado na faculdade. Isso custaria a bagatela de R$ 1,6 milhão. Outra possibilidade seria a justiça decretar um pagamento de pensão de 20% de tudo que o goleiro faturasse, o que daria uma mordida de R$ 10 milhões.

Qualquer que fosse a solução financeira, o Bruno ainda sobreviveria com muito dinheiro. No pior cenário, ao longo de sua carreira, lhe sobrariam pelo menos R$ 20 milhões. Pretensamente buscando evitar um escândalo de imagem, tudo leva a crer que se envolveu em um crime bárbaro. O goleiro deve perder a bolada que uma carreira vitoriosa lhe renderia, destruiu a sua imagem e pode ficar preso por vários anos. O episódio em si nos remete para um axioma do mundo da economia, que é o da racionalidade dos agentes econômicos. Todas as teorias partem de uma proposição de que qualquer pessoa tende agir buscando o que é mais vantajoso financeiramente.

Lembram do ditado que “louco não rasga dinheiro”? Pois é, o Bruno está aí para mostrar que as teorias econômicas e humanas podem falhar. Por isso quando os economistas generalizam nas formulações das políticas públicas, eles buscam o consenso do que julgam ser os desejos coletivos. Comportamentos irracionais como o que está sendo atribuído a Bruno, mostram que outro velho dito também é verdade, “a teoria na prática é outra”, pois ele é supostamente louco é rasgou uma fortuna.
'

Professor de Finanças do Ibmec
gbraga@ibmecrj.br

World Cup


É, o sonho brasileiro acabou. Mas ainda tem chivito, batata frita, salsichão e paella, é só escolher. :)
Até 2014.

Imprevisível.



Sabe aqueles dias que você prefere ficar escondido o dia inteiro dentro de casa? Sem sentir o sol na pele, o vento no rosto, o barulho dos carros passando. Sem cruzar com outro ser vivo, sem precisar pentear o cabelo, colocar os sapatos, sorrir sem vontade, parecer normal...

Sabe aqueles dias que você se sente muito bem acompanhado da própria figura e ao mesmo tempo sente um rombo dentro do peito?

Sabe aqueles dias que você olha no espelho e não reconhece mais o olhar que te olha?

Sabe aqueles dias que você acha que não pertence a esse mundo e começa a achar que todo mundo é fútil, previsível e idiota?

Sabe aqueles dias que você chora vendo novela, ouvindo música, lembrando das derrotas pessoais?

Sabe aqueles dias que você esquece que está vivo, com saúde e pensa como seria bom se nunca tivesse nascido?

Tem hora que o coração dá uma sacaneada na gente. Já não sei mais se eu tenho alguma culpa pelos acontecimentos ou se os acontecimentos são os verdadeiros culpados. Ou se é tudo junto ou se não é nada disso.

Pra que rugas de preocupação se a gente não tem o controle de porra nenhuma nessa vida? Nem do varal que arrebenta, nem do ovo que cai da porta da geladeira, nem da lâmpada que queima...

O que foi foi. O que é é. O que será será.
Ao som de Jay-Z, Young Forever...
Incrível o poder da música. Como algumas delas conseguem, sem pestanejar, nos transportar no tempo já nos primeiros acordes. Antigas sensações tomam conta da gente one more time... Um mecanismo louco. Invade o corpo, a alma. Nos rouba do presente. Nos leva pra algum cantinho empoeirado do cérebro. Algumas lágrimas ensaiam cair, não por tristeza ou alegria. Mas por saudade. Até das coisas ruins. A saudade é foda! Um vácuo inevitável. Segundo a segundo, tudo vai ficando pra trás. E quanto mais distante, mais dolorido fica. Não deveria ser assim... mas é. E o fim vai ficando cada vez mais próximo. Quanto tempo ainda nos resta por aqui? Por que adiar as coisas simples (e as complexas também)? O mal é achar que sempre há tempo. Eu quase fui pro "andar de cima" (ou de baixo, sabe lá...) há alguns anos. E descobri que não há tempo sobrando. O tempo que resta nunca é suficiente. Por mais que a gente faça e fale, sempre haverá o que fazer e falar...
E no fim, a gente descobre que tudo não passa de hoje, o futuro é uma ilusão. Só por hoje, evitar e viver.
Tem que ser assim. Faça o que tem que ser feito. Diga o que tem que ser dito.


Vista do Cristo, numa tarde em Icarai.

Estava relendo os posts antigos. Muita coisa mudou... Vou virar cantora. Tenho 7 bichos de pelúcia. Só ando de carro. Fiz vinte e seis. Acho que devo congelar meus óvulos. Passei a acreditar em Deus ainda mais, todo o tempo. O tão esmagador vazio se foi. Mas muita coisa continua igualzinha... Continuo com o projeto de um livro. E todo aquele medo voltou (é sempre assim).


keep walking,

A vida deu uma mudada desde a última vez que passei por aqui, e eu nem sei porque eu insisto em voltar. Talvez pra despejar palavras, talvez pra desabafar ou simplesmente por vir e manter viva em mim toda essa poesia que é a prosa. E assim foi:

Programei viagem a três e elas nem sequer sairam do papel.
Dei tempo no namoro, tempo esse que achei que jamais passaria. E já se foram três meses sem sentir.
Curti o Carnaval, aproveitei até achar que ia morrer, bebi 400 reais e continuei achando que ia, mas tive os melhores dias de uma juventude insana.
Fiz novos amigos e reascendi a chama das velhas amizades.
Mudei de quarto, tô querendo mesmo é mudar de casa, mas o melhor de tudo eu fiz: mudei de ares, mudei de vida.
Sai com outros caras, beijei outras bocas, mas o sexo permaneceu intacto. E aquela sensação de vazio também. E ia e voltava todos os dias.
Sai do emprego que achei que permaneceria até o fim da faculdade, faculdade essa que me fez pegar sete materias e tá me deixando louca.
Ainda sobre o emprego, não pretendo arrumar outro logo cedo, tô me dando férias.
Entrei numa dieta sinistra e já emagreci uns bons quilos, mas nada perto do que ainda QUERO e PRECISO.
Meu foco continua: FORMATURA. Pensando bem, ele vem se ampliando: SER A MELHOR.
Alias, meu presente já está escolhido: Cruzeiro pelo lado do pai, carro pelo lado da avó.

E agora, o melhor fato de todos: EU TÔ VIVA e TÔ FELIZ.

Bom, sendo assim, vamos celebrar?
Vem comigo, lá na frente eu te explico.

refletir.

Um famoso professor se encontrou com um grupo de jovens que falava contra o casamento.
Argumentavam que o que mantém um casal é o romantismo e que é preferível acabar com a relação quando este se apaga, em vez de se submeter à triste monotonia do matrimônio.
O mestre disse que respeitava sua opinião mas lhes contou a seguinte história:

"Meus pais viveram 55 anos casados. Numa manhã minha mãe descia as escadas para preparar o café e sofreu um enfarto.
Meu pai correu até ela, levantou-a como pôde e quase se arrastando a levou até à caminhonete.
Dirigiu a toda velocidade até o hospital, mas quando chegou, infelizmente ela já estava morta.
Durante o velório, meu pai não falou.
Ficava o tempo todo olhando para o nada.
Quase não chorou.
Eu e meus irmãos tentamos, em vão, quebrar a nostalgia recordando momentos engraçados.
Na hora do sepultamento, papai, já mais calmo, passou a mão sobre o caixão e falou com sentida emoção:
Meus filhos, foram 55 bons anos...
Ninguém pode falar do amor verdadeiro se não tem idéia do que é compartilhar a vida com alguém por tanto tempo.
Fez uma pausa, enxugou as lágrimas e continuou:
Ela e eu estivemos juntos em muitas crises.
Mudei de emprego, renovamos toda a mobília quando vendemos a casa e mudamos de cidade.
Compartilhamos a alegria de ver nossos filhos concluírem a faculdade, choramos um ao lado do outro quando entes queridos partiam.
Oramos juntos na sala de espera de alguns hospitais, nos apoiamos na hora da dor, trocamos abraços em cada Natal, e perdoamos nossos erros...
Filhos, agora ela se foi e estou contente.
E vocês sabem por que?
Porque ela se foi antes de mim e não teve que viver a agonia e a dor de me enterrar, de ficar só depois da minha partida.
Sou eu que vou passar por essa situação, e agradeço a Deus por isso.
Eu a amo tanto que não gostaria que sofresse assim...
Quando meu pai terminou de falar, meus irmãos e eu estávamos com os rostos cobertos de lágrimas.
Nós o abraçamos e ele nos consolava, dizendo:
Está tudo bem, meus filhos, podemos ir para casa."

Este foi um bom dia.

E, por fim, o professor concluiu:
Naquele dia entendi o que é o verdadeiro amor.
Está muito além do romantismo, e não tem muito a ver com o erotismo, mas se vincula ao trabalho e ao cuidado a que se professam duas pessoas realmente comprometidas.
Quando o mestre terminou de falar, os jovens universitários não puderam argumentar.
Pois esse tipo de amor era algo que não conheciam.

O verdadeiro amor se revela nos pequenos gestos, no dia-a-dia e por todos os dias.
O verdadeiro amor não é egoísta, não é presunçoso, nem alimenta o desejo de posse sobre a pessoa amada.
Quem ama, verdadeiramente, prefere sofrer a causar sofrimento.
Prefere renunciar à própria felicidade para promover a felicidade de quem ama.
Alguns dirão que quem age assim não tem amor próprio, mas amor próprio, não quer dizer individualismo.
O que geralmente acontece com o individualista, em caso de separação pela morte, é debruçar-se sobre o caixão e perguntar: "o que será de mim?"
Já aquele que ama e se preocupa com o ser amado, perguntará: "o que será dele?
Ou, ou que será dela?"
Isso demonstra que seu amor é grande o suficiente para pensar mais no outro do que em si mesmo.
E você, está aproveitando o seu relacionamento para construir um verdadeiro amor?
Espero que todos tirem um grande proveito desta história.
Quantas histórias de amor tiveram um final melancólico porque não houve a compreensão sobre o fato de que o amor está acima do romantismo, do sexo, do erotismo. É muito mais gratificante um caminhar de mãos dadas, um ficar de mão dadas, do que simplesmente procurar satisfazer desejos imediatistas.


:)

friends.

e quando você pensa que tudo vai mal, eis que surgem seus anjos da guarda e te levantam.
te estendem a mão, e te fazem voar com as asas divinas e um coração cheio de amor.
não, esses anjos não são surreais. são simplesmente os amigos que vc constrói ao longo da vida.
os anjos que Deus envia pra deixar a sua vida mais alegre. a familia que vc escolheu pra compartilhar tudo até o fim dos seus dias.
e quando um deles não esta por perto, seu coração sente um vazio inexplicável e você se sente incompleto.
da vontade de reviver tudo outra vez, fazer tudo certo, pedir desculpas ou simplesmente deixar claro que você o ama, e que o sentimento de amizade é o mais puro que existe.
é como amor de irmão, afinal é isso que os amigos são, irmãos.
já dizia o sábio poeta Vinicius de Morais:
" Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores. Mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! "

" é melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe. "

miss.

'Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.'


*

dai, o medo.